Guia Rápido do FreeBSD para Usuários Linux®

John Ferrell

Revisão: 43184

FreeBSD is a registered trademark of the FreeBSD Foundation.

Linux is a registered trademark of Linus Torvalds.

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2013-11-13 por hrs.
Resumo

O objetivo deste documento é familiarizar rapidamente os usuários intermediários e avançados de Linux® com o FreeBSD.

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Índice
1. Introdução
2. Shells: Sem Bash?
3. Pacotes e Ports: Adicionando programas no FreeBSD
4. Inicialização do Sistema: Onde estão os run-levels?
5. Configuração da rede
6. Firewall
7. Atualizando o FreeBSD
8. procfs: Morto, mas vivo na memória
9. Comandos Comuns
10. Conclusão

1. Introdução

Este documento irá destacar as diferenças entre FreeBSD e Linux® para que os usuários intermediários e avançados possam rapidamente se familiarizar com os conceitos básicos do FreeBSD. Esta é apenas uma rápida introdução técnica, ela não tenta discutir as diferenças filosóficas entre os dois sistemas operacionais.

Este documento assume que você já tem o FreeBSD instalado. Se você não tem o FreeBSD instalado ou precisa de ajuda com o processo de instalação, por favor, consulte o capítulo Instalando o FreeBSD no Handbook.

2. Shells: Sem Bash?

Usuários vindos do Linux® são frequentemente surpreendidos por não encontrarem o Bash como o shell padrão no FreeBSD. De fato, o Bash nem mesmo está presente na instalação padrão. Em vez disso, o FreeBSD usa o tcsh(1) como shell padrão. Embora o Bash e seus outros shells favoritos estejam disponíveis na Coleção de Ports do FreeBSD.

Se você instalar outros shells, o chsh(1) poderá ser usado para definir o shell padrão dos usuários. Contudo, é recomendável que o shell padrão do root permaneça inalterado. A razão para isso é que shells não incluídos na base do sistema são normalmente instalados em /usr/local/bin ou /usr/bin. Caso ocorra um problema no sistema de arquivos no qual estão localizados o /usr/local/bin e o /usr/bin, eles não poderão ser montados. Neste caso, o usuário root não teria acesso ao seu shell padrão, o que o impediria de efetuar login. Por este motivo uma segunda conta root, a conta toor, foi criada para uso com shells que não fazem parte da base do sistema. Leia o FAQ de segurança para obter informações sobre a conta toor.

3. Pacotes e Ports: Adicionando programas no FreeBSD

Além do tradicional método UNIX® de instalação de programas (baixar o código fonte, extrair, editar o código fonte, e compilar), o FreeBSD oferece dois outros métodos para instalar aplicações: pacotes e ports. Uma lista completa de todos os ports e pacotes disponíveis pode ser encontrada aqui.

3.1. Pacotes

Pacotes são aplicações pré-compiladas, o equivalente no FreeBSD ao .deb nos sistemas baseados no Debian/Ubuntu e ao .rpm nos sistemas baseados no Red Hat/Fedora. Pacotes são instalados usando pkg_add(1). Por exemplo, o seguinte comando instala o Apache 2.2:

# pkg_add /tmp/apache-2.2.6_2.tbz

Usar a opção -r dirá ao pkg_add(1) para baixar automaticamente o pacote e instalá-lo, juntamente com quaisquer dependências que ele possua:

# pkg_add -r apache22
Fetching ftp://ftp.freebsd.org/pub/FreeBSD/ports/i386/packages-6.2-release/Latest/apache22.tbz... Done.
Fetching ftp://ftp.freebsd.org/pub/FreeBSD/ports/i386/packages-6.2-release/All/expat-2.0.0_1.tbz... Done.
Fetching ftp://ftp.freebsd.org/pub/FreeBSD/ports/i386/packages-6.2-release/All/perl-5.8.8_1.tbz... Done.
[snip]

To run apache www server from startup, add apache22_enable="YES"
in your /etc/rc.conf. Extra options can be found in startup script.

Nota:

Se você está rodando uma versão de release do FreeBSD (6.2, 6.3, 7.0, etc., geralmente instalada a partir de um CD-ROM) o pkg_add -r vai baixar o pacote compilado especificamente para esta versão. Este pacote pode não ser a versão mais atual da aplicação. Você pode usar a variável PACKAGESITE para sobrescrever este comportamento padrão. Por exemplo, ajuste PACKAGESITE para ftp://ftp.freebsd.org/pub/FreeBSD/ports/i386/packages-6-stable/Latest/ para baixar os pacotes mais recentes compilados para a série 6.X.

Para mais informações sobre pacotes, por favor, consulte a seção 4.4 do Handbook do FreeBSD: Usando o Sistema de Pacotes.

3.2. Ports

O segundo método para instalação de aplicações no FreeBSD é a Coleção de Ports. A Coleção de Ports é um framework de Makefiles e patches especialmente customizados para a instalação de vários programas a partir do código fonte no FreeBSD. Ao instalar um port o sistema irá baixar o código fonte, aplicar qualquer patch necessário, compilar o código, e instalar a aplicação. O mesmo processo será aplicado para todas as suas dependências.

A Coleção de Ports, por vezes designada como a árvore de ports, pode ser encontrada em /usr/ports. Isto assumindo que a Coleção de Ports foi instalada durante o processo de instalação do FreeBSD. Se a Coleção de Ports não foi instalada, ela pode ser adicionada a partir dos discos de instalação usando sysinstall(8), ou baixada dos servidores do FreeBSD usando csup(1) ou portsnap(8). Instruções detalhadas para a instalação da Coleção de Ports podem ser encontradas na seção 4.5.1 do Handbook.

A instalação de um port é tão simples (geralmente) quanto entrar no diretório do port desejado e iniciar o processo de compilação. O exemplo seguinte instala o Apache 2.2 a partir da Coleção de Ports:

# cd /usr/ports/www/apache22
# make install clean

Um grande benefício do uso do ports para instalar programas é a possibilidade de personalizar as opções de instalação. Por exemplo, ao instalar o Apache 2.2 a partir do ports, você poderá habilitar o mod_ldap definindo a variável WITH_LDAP ao executar make(1):

# cd /usr/ports/www/apache22
# make WITH_LDAP="YES" install clean

Por favor, leia a seção 4.5 do Handbook do FreeBSD, Usando a Coleção de Ports, para maiores informações sobre a Coleção de Ports.

3.3. Ports ou pacotes, qual eu devo usar?

Pacotes são apenas ports pré-compilados, então na prática é uma questão de instalarmos a partir do código fonte (ports) contra instalarmos de um pacote binário. Cada método tem seus próprios benefícios:

Pacotes (binário)
  • Instalação rápida (a compilação de grandes aplicações pode ser um tanto demorada).
  • Você não precisar saber como compilar o programa.
  • Não é necessário instalar compiladores no seu sistema.
Ports (código fonte)
  • Possibilidade de personalizar as opções de instalação. (Pacotes normalmente são compilados com as opções padrões. Com o ports você pode personalizar várias opções, como a compilação de módulos adicionais ou a mudança do path de instalação padrão.)
  • Você pode aplicar seus próprios patches se assim desejar.

Se você não tem qualquer requisito especial, o sistema de pacotes provavelmente vai se adequar muito bem à sua situação. Se você for precisar personalizar a instalação, o ports é a melhor opção. (E lembre-se, se você precisa personalizar a instalação, mas prefere pacotes, você pode compilar um pacote personalizado a partir do ports usando make package e, em seguida, copiar o pacote para outros servidores.)

4. Inicialização do Sistema: Onde estão os run-levels?

O Linux® usa o sistema SysV init, enquanto o FreeBSD usa o tradicional BSD-style init(8). Sob o BSD-style init(8) não existem run-levels e nem /etc/inittab, em vez disso a inicialização é controlada pelo utilitário rc(8). O script /etc/rc/etc/defaults/rc.conf e /etc/rc.conf para determinar quais serviços serão iniciados. Os serviços especificados são, então, inicializados rodando os scripts de inicialização correspondentes em /etc/rc.d/ e /usr/local/etc/rc.d/. Esses scripts são similares aos scripts localizados em /etc/init.d/ nos sistemas Linux®.

Os Serviços são ativados espeficificando NomeDoServiço_enable="YES" em /etc/rc.conf (rc.conf(5)). Dê uma olhada em /etc/defaults/rc.conf para visualizar os padrões do sistema, essas configurações padrões podem ser sobrescritas por configurações em /etc/rc.conf. Quando instalar aplicações adicionais não deixe de analisar a documentação para determinar como ativar qualquer serviço associado.

O seguinte trecho do /etc/rc.conf ativa o sshd(8) e o Apache 2.2. Ele também determina que o Apache deve ser iniciado com SSL.

# enable SSHD
sshd_enable="YES"
# enable Apache with SSL
apache22_enable="YES"
apache22_flags="-DSSL"

Uma vez que o serviço foi ativado em /etc/rc.conf, ele pode ser inicializado pela linha de comando (sem precisar reinicializar o sistema):

# /etc/rc.d/sshd start

Se o serviço não foi ativado, ele pode ser inicializado pela linha de comando usando forcestart:

# /etc/rc.d/sshd forcestart

5. Configuração da rede

5.1. Interfaces de Rede

Em vez do identificador genérico ethX, que o Linux® usa para identificar uma interface de rede, o FreeBSD usa o nome do driver do dispositivo de rede seguido por um número como identificador. A seguinte saída do ifconfig(8) mostra duas interfaces de rede Intel® Pro 1000 (em0 e em1):

% ifconfig
em0: flags=8843<UP,BROADCAST,RUNNING,SIMPLEX,MULTICAST> mtu 1500
        options=b<RXCSUM,TXCSUM,VLAN_MTU>
        inet 10.10.10.100 netmask 0xffffff00 broadcast 10.10.10.255
        ether 00:50:56:a7:70:b2
        media: Ethernet autoselect (1000baseTX <full-duplex>)
        status: active
em1: flags=8843<UP,BROADCAST,RUNNING,SIMPLEX,MULTICAST> mtu 1500
        options=b<RXCSUM,TXCSUM,VLAN_MTU>
        inet 192.168.10.222 netmask 0xffffff00 broadcast 192.168.10.255
        ether 00:50:56:a7:03:2b
        media: Ethernet autoselect (1000baseTX <full-duplex>)
        status: active

5.2. Configuração IP

Um endereço IP pode ser atribuído a uma interface de rede usando ifconfig(8). No entanto, para mantê-lo persistente entre as reinicializações, a configuração deve ser incluída em /etc/rc.conf. O seguinte exemplo configura o hostname, o endereço IP, e o gateway padrão:

hostname="server1.example.com"
ifconfig_em0="inet 10.10.10.100  netmask 255.255.255.0"
defaultrouter="10.10.10.1"

Use a seguinte sintaxe para configurar a interface para DHCP:

hostname="server1.example.com"
ifconfig_em0="DHCP"

6. Firewall

Como o IPTABLES no Linux®, o FreeBSD também oferece um firewall ao nível de kernel; atualmente o FreeBSD oferece três opções de firewalls:

O IPFIREWALL, ou IPFW (o comando para gerenciar um conjunto de regras IPFW é ipfw(8)), é o firewall desenvolvido e mantido pelos desenvolvedores do FreeBSD. O IPFW pode ser integrado com dummynet(4) para prover a capacidade de controle de tráfego e simular diferentes tipos de conexões de rede.

Amostra de uma regra do IPFW para permitir uma conexão de entrada do SSH:

ipfw add allow tcp from any to me 22 in via $ext_if

IPFILTER é um aplicativo de firewall desenvolvido por Darren Reed. Ele não é específico para o FreeBSD e foi portado para vários sistemas operacionais, incluindo NetBSD, OpenBSD, SunOS, HP/UX, e Solaris.

Amostra do comando IPFILTER para permitir uma conexão de entrada do SSH:

pass in on $ext_if proto tcp from any to any port = 22

O último aplicativo de firewall, PF, é desenvolvido pelo projeto OpenBSD. O PF foi criado como um substituto para o IPFILTER. Como tal, a sintaxe do PF é muito similar à do IPFILTER. O PF pode ser integrado com altq(4) para prover recursos de QoS.

Amostra do comando PF para permitir uma conexão de entrada do SSH:

pass in on $ext_if inet proto tcp from any to ($ext_if) port 22

7. Atualizando o FreeBSD

Existem três métodos para atualizar um sistema FreeBSD: a partir do código fonte, atualização binária, e a partir dos discos de instalação.

A atualização a partir do código fonte é a mais demorada, mas por outro lado é a que oferece a maior flexibilidade. O processo envolve a sincronização de uma cópia local do código fonte do sistema a partir dos servidores Subversion do FreeBSD. Uma vez que o código fonte local está atualizado, você pode compilar a nova versão do kernel e dos aplicativos de nível de usuário. Para maiores informações sobre atualizações a partir do código fonte veja o capítulo sobre atualização no Handbook do FreeBSD.

As atualizações binárias são similares ao uso do yum ou apt-get para atualizar sistemas Linux®. O comando freebsd-update(8) vai baixar e instalar as novas atualizações. As atualizações podem ser agendadas usando cron(8).

Nota:

Se você utilizar o cron(8) para agendar as atualizações, por favor, certifique-se de usar freebsd-update cron em seu crontab(1) para reduzir a possibilidade de que um grande número de máquinas busquem as atualizações todas ao mesmo tempo.

0 3 * * * root /usr/sbin/freebsd-update cron

O último método de atualização, a partir dos discos de instalação, é um processo bastante simples. Efetue o boot a partir dos discos de instalação e selecione a opção para atualizar.

8. procfs: Morto, mas vivo na memória

No Linux®, para determinar se o encaminhamento IP está ativado, você pode olhar em /proc/sys/net/ipv4/ip_forward. No FreeBSD você precisa usar o sysctl(8) para ver esta e outras opções do sistema, pois o procfs(5) tornou-se obsoleto nas versões mais recentes do FreeBSD. (Embora sysctl também esteja disponível no Linux®.)

No exemplo do encaminhamento IP, você poderia usar o seguinte comando para determinar se ele está ativado no seu sistema FreeBSD:

% sysctl net.inet.ip.forwarding
net.inet.ip.forwarding: 0

A opção -a é utilizada para listar todas as configurações do sistema:

% sysctl -a
kern.ostype: FreeBSD
kern.osrelease: 6.2-RELEASE-p9
kern.osrevision: 199506
kern.version: FreeBSD 6.2-RELEASE-p9 #0: Thu Nov 29 04:07:33 UTC 2007
    root@i386-builder.daemonology.net:/usr/obj/usr/src/sys/GENERIC

kern.maxvnodes: 17517
kern.maxproc: 1988
kern.maxfiles: 3976
kern.argmax: 262144
kern.securelevel: -1
kern.hostname: server1
kern.hostid: 0
kern.clockrate: { hz = 1000, tick = 1000, profhz = 666, stathz = 133 }
kern.posix1version: 200112
...

Nota:

Alguns dos valores do sysctl estão disponíveis somente para leitura.

Existem ocasiões nas quais o procfs é necessário, como na execução de programas antigos, no uso do truss(1) para rastrear chamadas de sistema, e para possibilitar a Compatibilidade Binária com Linux. (Embora a Compatibilidade Binária com Linux use seu próprio procfs, linprocfs(5).) Se você precisar montar o procfs, você pode adicionar a seguinte entrada no /etc/fstab:

proc                /proc           procfs  rw,noauto       0       0

Nota:

noauto vai prevenir /proc de ser montado automaticamente durante o boot.

E então monte o procfs com:

# mount /proc

9. Comandos Comuns

9.1. Gerenciamento de Pacotes

Comando no Linux® (Red Hat/Debian)Equivalente no FreeBSDpropósito
yum install pacote / apt-get install pacotepkg_add -r pacoteInstala o pacote a partir do repositório remoto
rpm -ivh pacote / dpkg -i pacotepkg_add -v pacoteInstala um pacote
rpm -qa / dpkg -lpkg_infoLista de pacotes instalados

9.2. Gerenciamento do Sistema

Comando no Linux®Equivalente no FreeBSDPropósito
lspcipciconfLista de dispositivos PCI
lsmodkldstatLista de módulos do kernel carregados
modprobekldload / kldunloadCarrega/descarrega módulos do kernel
stracetrussRastrear chamadas de sistema

10. Conclusão

Esperamos que este documento tenha fornecido para você o suficiente para começar a utilizar o FreeBSD. Certifique-se de dar uma olhada no Handbook do FreeBSD para se aprofundar nos tópicos abordados, assim como nos muitos tópicos não mencionados neste documento.